sexta-feira, 23 de julho de 2010

VIDA REAL


Ele não tinha nome, não tinha casa, não tinha nada, 30 e poucos anos aparentemente... Roupas sujas, pés descalços, mãos vazias... Mas ele tinha um irmão, foi o que me disse, repetiu várias vezes entre uma frase e outra, acho que era tudo o que ele tinha: um irmão que precisava de comida e que o esperava numa rodoviária inativa que, por ironia do destino fica bem ao lado do bosque do pau-brasil, lugar perfeito para um brasileiro anônimo se abrigar do sol, da chuva e do frio. Rosto sério, triste... Sua voz mais parecia um lamento.

Ele estava ali com uma história pra contar, uma história recente, que ele precisava contar e eu senti que precisava ouvir. Ali, parados na calçada da minha casa aquele homem estranho, que poderia ser um assaltante ou algo parecido, me passou confiança, era apenas mais uma vítima da decadência social que bate à nossa porta e que nem sempre queremos encarar, por insegurança, medo, pois nunca sabemos em que momento também seremos vítimas das ações violentas de outras vítimas.

Contou que foi até um boteco “tomar uma”, enquanto isso deixou num canto afastado, um saco no qual estavam todos os seus pertences: algumas roupas velhas, um par de sandálias que acabara de ganhar de alguém, alguns alimentos inclusive o leite do seu irmão e um radinho velho. Enquanto isso foi passando o carro da coleta de lixo, o lixeiro vendo aquele saco sujo deu a ele o destino que lhe cabia. E lá se foi misturado com o lixo de quem tem tudo ou quase tudo, os únicos bens de quem nada tem. Naquele saco velho e sujo estavam todas as suas peças de vestuário, o único mimo que conseguira para o irmão mais novo e o seu lazer. Quando percebeu o acontecido, já era tarde demais, correu atrás procurando o lixo onde estava todo o seu luxo, mas foi em vão, o carro já se fora, inútil insistir, só restava agora apelar para a solidariedade humana, bater de porta em porta e conseguir adquirir novamente outros bens para colocar dentro de outro saco velho, sujo e quem sabe invisível assim como ele e seu irmão, essa era a única garantia de que ninguém, nem mesmo o lixeiro daria atenção aquele saco velho e sujo encostado num canto qualquer.


Zezinha Sousa


Esta crônica foi baseada totalmente em fatos reais.



terça-feira, 20 de julho de 2010

ASSERTIVIDADE

Recebi de um amigo um texto sobre assertividade de Lícia Egger Moellwald.

Gostei, pois me identifiquei bastante. Aqui está uma adaptação: o texto sob o meu ponto de vista.



Assertividade é falar e fazer o que achamos certo, sem desrespeitar os outros.

Sendo assim, podemos falar a verdade sem ofender, e defender nossos direitos sem agredir as pessoas.

Pra começar a aprender a ter assertividade é preciso perder o medo de dizer não, afinal ninguém é obrigado a fazer ou falar algo que não queira. Enquanto isso tem muita gente por aí ferindo, magoando e humilhando os outros usando a desculpa esfarrapada de que "Eu sou assim, falo tudo que penso, esse é o meu jeito”(E realmente acreditam que isso seja uma virtude), em contra partida essas pessoas não são aceitas como gostariam, são vistas com antipatia pelos colegas de trabalho e por todos que, por algum motivo são obrigados a conviver com elas.

Para começar a ter assertividade é necessário: ser flexível, bom ouvinte, sincero, objetivo e educado; aceitar as diferenças e permitir que todos se sintam à vontade para expressar sua opinião; não gritar ou falar qualquer coisa sem pensar no que está dizendo; discordar com naturalidade e expressar-se com educação; jamais inventar ou distorcer os fatos, pois, certamente vai gerar desconfiança; falar francamente se for injustiçado ou mal interpretado.

Ser assertivo é ter uma postura educada, porém nunca, covarde. Isso ajuda a melhorar a autoestima e diminuir o estresse.


Zezinha Sousa



segunda-feira, 19 de julho de 2010

CUIDE DO SEU JARDIM

"NÃO CORRA ATRÁS DAS BORBOLETAS, CUIDE DO SEU JARDIM QUE ELAS VIRÃO ATÉ VOCÊ"

Li essa frase em algum lugar, não lembro quem é o autor, mas gostei da metáfora e hoje, não sei por que, (ou melhor, sei sim...) lembrei dela. Cuidar do próprio jardim é uma ótima ideia, é até mais gostoso e mais produtivo do que cuidar do jardim dos outros, afinal de contas, ninguém sabe melhor dos cuidados que um jardim precisa do que o próprio dono.
Que nome você daria ao seu jardim? Corpo, vida, família, estudos emprego, namorado(a)... E as borboletas? Saúde, felicidade, harmonia, sucesso, dinheiro, amor...
Seja lá qual for o nome do seu jardim, não esqueça: plante flores coloridas, seu jardim ficará mais bonito e atrairá borboletas multicores


Zezinha Sousa



sábado, 17 de julho de 2010

SENTIMENTOS DA ROSA


Quem sabe da melancolia da rosa

que cresce sozinha no campo ?

Quem vê seus espinhos

brotarem tatuando sua carne ?

Acaso há espanto

quando desfolhada a rosa geme ?

Quem conhece seu silêncio orvalhado ?

Quem teme tocar sua pele com cuidado

sem a aspereza das mãos ?

Quem já ouviu as batidas

do seu coração ?

Se o cravo brigou com a rosa

em desalento

não foi essa a razão

de seu desfalecimento

Não é o cravo seu algoz

é quem não lhe reconhece a voz


Úrsula Avner



Poema sem registro

Numa folha de papel em branco Fiz de ti, poesia Versos concebidos em silêncio  Total ausência de grafia Segredos que não ouso ...