sábado, 21 de outubro de 2017

Um certo tipo de amor


Num domingo à tarde, depois de ver um filme de romance do qual não sei o título porque comecei a ver quase no final, atrevo-me a escrever sobre o amor. Nada fácil para mim, pois meu ponteiro nunca apontou para a pessoa certa. Porém, o amor está tão impregnado em nós e é tão subjetivo que melhor do que escrever sobre experiências é deixar-se levar pela intuição, pela emoção e deixar as palavras fluírem cheias de sabor como bombons recheados de surpresas. E como quem saboreia um brigadeiro, sigo preenchendo essas linhas com a sabedoria de quem reconhece que nada sabe sobre o assunto. Porém, na minha ignorância sobre esse sentimento tão falado, aliás mais falado do que vivido, vou tecendo minhas ideias.

Acredito que amor e sofrimento andam juntinhos, de mãos dadas. Se não somos correspondidos, ai que dor! Que tristeza! Se somos e vivemos o amor plenamente, ai que dor! Que medo de perder a pessoa amada! Aí, vem o ciúme, e a dor aumenta. Mas acredito que pior do que essas dores de amor, é nunca ter sentido esse complexo sentimento que faz os olhos e a alma sorrirem em alguns momentos e chorarem em outros. Mas tem um tipo de amor que nos completa e nos faz grande, nos faz pessoas melhores na doação do afeto ao outro. É o amor-próprio, ele que nos oferta qualidades fundamentais para saber amar o outro: dignidade, autoestima do jeito certo, sem narcisismo. Sem esse bendito amor, ai que dor! 

Zezinha Lins

domingo, 15 de outubro de 2017

A risada de Mariana


Contaram-me que ela era especial. No primeiro contato na sala de aula percebi que realmente ela era muito especial. Menina de pouco mais de 30 anos, linda, inteligente e muito simpática. Eu lecionava um 5º ano, era uma turma que agregava todas as diferenças e isso tornava minha sala de aula um espaço maravilhoso onde eu ensinava e aprendia a cada instante.
Mariana sempre tinha muitas novidades para contar, durante o recreio ficava perto de mim falando sobre sua vida: pessoas, familiares, fatos, impressões. Sua aprendizagem era desenvolvida principalmente através da oralidade.  Adorava dar uma bela lição de moral nos colegas quando achava que mereciam, todos paravam para ouvi-la, era querida por meninos e meninas.
Às vezes o cansaço me vencia, as horas demoravam a passar, o corpo e a mente suplicavam por um descanso. Mas quando Mariana soltava sua gargalhada por alguma bobagem que algum coleguinha falava ou fazia, aquela risada enchia-me de vida, de alegria e eu sorria, sentia-me mais leve. O ano letivo terminou, Mariana assim como os coleguinhas seguiram o caminho do aprender e ensinar, não a vejo mais diariamente como antes, mas a risada de Mariana ecoa nas minhas lembranças e me faz sorrir, sempre.


Zezinha Lins

Diferenças



Que venham os passarinhos
De todos os tamanhos e cores
Com seus diferentes cantos
Ou mesmo sem canto nenhum
Que preencham meus espaços
Floridos e coloridos às vezes
Ou cheio de folhas secas
Espalhadas pelo chão
Que me ensinem a contemplar
A receber e me doar
Que me ensinem um canto novo
Silencioso e afetivo.
Que me ensinem a grandiosidade
Até então escondida
Que está além das palavras ditas
Em alto e bom som
Na boca, nas mãos e no olhar.

Zezinha Lins




Escolhas




Nego-me a ouvir o gemido do vento,
Ouço apenas o seu cantar.
Nego-me a ouvir o choro da chuva,
Ouço a sua melodia
Escorrer pelas ruas, campos e flores,
Vejo a semente germinar.
Nego-me a ver o Sol se esconder,
Vejo apenas seu adormecer...
Em paz...
Com a certeza de que voltará a brilhar.
Nego-me a perceber o escuro da noite,
Vejo o prateado da Lua
Espalhando versos no céu
Enfeitados com estrelas brincantes
Inspirando os poetas para mais um poema
E os namorados para mais um beijo.


 Zezinha Lins

Lançamento do livro Chuva Literária na XI Bienal Internacional do Livro de Pernambuco


Desembrulhe o presente


A vida, sempre alternada por momentos alegres ou tristes, está sempre nos pondo à prova. Vitalidade, brilho nos olhos e sorrisos prontos, presentes que desfrutamos quando estamos bem. Porém, um acontecimento, uma preocupação ou até mesmo um pensamento e tudo muda, acredito que o gatilho do qual fazemos mais uso para apagar o brilho dos olhos, é o pensamento. Pensamos demais, pensamos muitas bobagens. Através dos pensamentos carregamos o passado como se fosse um imenso fardo nas costas, o corpo cansa e dói. Também criamos muitas expectativas e preocupações relacionadas ao futuro, a ansiedade explode, respiramos mal, corpo e mente sofrem. E assim, com todos esses incômodos, transformamos nosso presente num caos. Ora, se o passado já se foi e o futuro não o temos, só nos resta o presente, o dia de hoje para viver e viver bem. Portanto, não deixemos nosso presente embrulhado num papel bonito com um enorme laço de fita a prendê-lo. Vamos rasgar o papel e desatar os nós, vamos usufruir dessa maravilha dada por Deus. Sejamos felizes e gratos pelo dom da vida, aproveitemos mais a companhia dos nossos familiares e amigos. Hoje, só hoje, sempre!


Zezinha Lins

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tecelã do Tempo ( Resenha )

Fonte: blog Pedagoga Literária.
https://pedagogaliteraria.blogspot.com.br/



Livro: Tecelã do Tempo
Autora: Zezinha Lins
Editora: Scortecci
Nº de págs.: 109
Ano: 2017






SINOPSE:

Na década de 60, numa cidade do interior, histórias reais acontecem e se entrelaçam como a trama de um tecido. Versejando e proseando, a personagem despe-se da discrição, algo tão característico da sua personalidade, e narra sua vida como quem sacia a sede de libertar-se dos fantasmas do passado. Muitas histórias em uma. Contrastando com a quietude da cidade, as personagens vivenciam aventuras em alguns momentos turbulentas e perigosas, outros envolvidos na magia bucólica da cidade. O alcoolismo, a fuga para a cidade grande, a importância dos avós no âmbito familiar, o amor antes da hora, o conflito de sair da zona de conforto, o encontro consigo mesma, a convivência com a solidão e a superação são apresentados como vida que flui ao longo dos anos. Projetando-se na linha do tempo, acontece o encontro e o diálogo entre a menina do passado e a mulher do presente, a mesma pessoa em momentos diferentes: o acerto de contas.

RESENHA:

De uma forma bem sutil, esse livro é composto não só de poesias mais também de prosa onde a autora inspirada na prosa tece sua poesia de uma maneira delicada e criativa ao mesmo tempo.

São prosas  da sua vida passada , desde a sua terra natal  até os dias de hoje .
Ela fala da vivência em sua cidade Glória do Goitá em Pernambuco e vai decorrendo com histórias de sua infância, daquela época de 60, de como era calmo viver naqueles tempos que até dormíamos de portas abertas, os únicos ladrões que tinham eram os ladrões de galinha, isso tudo até o progresso chegar trazendo consigo  a violência 
As brincadeiras infantis da época, no terraço e no quintal, os bailes locais, a luta  da ida para a cidade grande, os amores e desamores dos parentes, tudo isso é proseado de maneira leve e agradável.
Em  cada tema da prosa, ela tece com sabedoria e maestria seus versos encantadores que tocam profundamente o leitor.
Ao concluirmos a leitura , vemos a superação da autora e de seus personagens ,que olha para o seu passado e dali tira grandes lições, e é isso que ela tenta passar para os leitores também, olhar para o passado sem algozes, mesmo que  ele tenha sido muito difícil .

Ler esse livro é regressar ao nosso passado, a nossa cultura, aos nossos costumes, ao tempo em que tudo era movido pela simplicidade, pela paz, tudo era perfeito.

O livro é um misto de emoções, pois cada tema abordado se intercalando com as poesias, despertam no leitor turbilhões de sensações diferentes.

A diagramação está perfeita, a capa condiz exatamente com o livro, e o que me chamou atenção ao escolher esse livro foi exatamente a capa e o título, ( coisa de artesã , rs) , daí quando li a sinopse e vi que era prosa e poesia, vi que não iria me arrepender, pois é um livro lindo, daqueles que você tem que carregar sempre consigo e reler sempre que puder.

Um certo tipo de amor

Num domingo à tarde, depois de ver um filme de romance do qual não sei o título porque comecei a ver quase no final, atrevo-me a escre...