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Novo jeito de viver... Como antigamente

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É uma rua sem saída, um muro com cerca elétrica delimita o espaço e oferece uma sensação de segurança que tem dado certo, daqui ninguém passa, nada de carros nem barulho de motos, apenas o silêncio quebrado pelas conversas dos vizinhos nas calçadas no fim da tarde, pelas brincadeiras das crianças na rua e   pelo canto dos pássaros que voam livres e fazem morada nas imensas árvores que ficam num terreno baldio por trás do muro. As casas todas parecidas umas com as outras com muros e portões altos favorecem a privacidade de cada morador. Um grupo formado numa rede social facilita a vida de todos: se alguém precisar de algo é só expor no grupo e sempre há um vizinho que atende a necessidade do outro. Periodicamente os vizinhos reúnem-se na rua no sábado à noite para jantar juntos e jogar conversa fora, logo surge uma mesa, cadeiras, cada um faz uma comida, um suco, um bolo ou um café. Se de repente chove, o terraço de um acolhe todos.  Melhor programa não há. As crianças jantam primeiro …

Inexplicável amor

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Como explicar o inexplicável?
É assim que reflito sempre que chega o mês de maio repleto de flores rosas, coraçõezinhos vermelhos e mensagens lindas. Leio as declarações de amor filial nas redes sociais, TV e tudo o mais, algumas até emocionam para valer, choro mesmo. Mas aqueles textos que tentam dissertar sobre: “Ser mãe” ou “Amor de Mãe” e por aí vai, são esforços válidos, porém não conseguem jamais conceituar com palavras temas que estão fora da nossa compreensão humana. Apesar de mãe ser uma condição humana acredito que nem elas conseguem de forma plena encontrar em nosso vocabulário palavras que expliquem exatamente este mistério que ela vivencia desde o primeiro segundo em que descobre que o milagre da vida está sendo realizado na sua barriga. Ela ainda não sabe, mas nunca mais será a mesma. Meu limite de explicação vai até quando penso e falo que o amor de uma mãe pelos seus filhos é o que mais se aproxima do amor de Deus por nós. 
Zezinha Lins

Inexplicável

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Chuva fina vespertina Uma xícara de café amargo Receio que algo aconteça Um algo específico Medo camuflado De um não sei quê de melancolia. Tudo pode acontecer Num universo alheio Mas esse amor inexplicável Que não aceita a lógica Que só quer o bem do outro Do filho E do filho do filho É amor que eleva a alma Enquanto sofre o corpo inteiro Maternidade que encanta E a si mesma suplanta.
Zezinha Lins




O Sabor das Lágrimas

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Mais do que um fluido lagrimal com sua composição feita de água, sais minerais, gordura e proteína, sabemos que a lágrima é puro sentimento. Ao pensarmos nas ocasiões em que choramos, lembramos de situações totalmente diferentes e opostas. Nos meus devaneios de poeta, estive imaginando que de certa forma as lágrimas têm sabores. Tentando identificar alguns desses sabores surgiu esta reflexão: as lágrimas são amargas quando nos deparamos com a violência nua e crua, distante ou bem perto de nós. São azedas quando nascem da raiva que brota nos corações invejosos e arrogantes. São salgadas quando escorrem feito chuva no rosto pelas lições que a vida nos proporcionam através de experiências dolorosas, mas que nos fazem crescer como pessoas e lembrar que estamos vivos e que a vida é feita de fases. Agridoce são as lágrimas da saudade. E aquelas que vertemos quando rimos até a barriga doer? Acho que tem sabor de tutti-frutti. O sabor apimentado eu comparo com a dor física e haja pimenta quan…

A PASTA PRETA

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Dava para perceber que ele era o tipo de pessoa que sempre deixava tudo para a última hora, por isso andava às pressas como se pudesse ser mais veloz que o tempo. Quanto mais corria parecia não chegar a lugar nenhum. Eu sempre percebia a presença apressada daquele senhor diariamente no mesmo horário atravessando a avenida praticamente correndo enquanto tranquilamente eu tomava uma xícara de café debruçado na janela do meu pequeno apartamento pela manhã antes de sair para o trabalho. Dali, do segundo andar observava o caos urbano bem de perto como se fosse numa grande tela de TV. Buscava inspiração para minha coluna semanal no site Atualidades. Mas naquele dia de outono, clima ameno, 28 do mês de abril, o homem carregava além do estresse gritante, uma pasta preta nas mãos nervosas. Olhava o semáforo para pedestres e o sinal vermelho o fazia sussurrar como se falasse para si mesmo alguns palavrões, num exercício de impaciência angustiante. Pensei com meus botões: o que será que tem naquel…

Espelho, espelho meu...

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Sentada em frente ao espelho ela observa sua própria imagem. Ela costuma fazer isso desde que ficou sozinha. Em cada momento, no rosto de sempre, consegue ver coisas diferentes além de uma linha de expressão que ela herdou do pai e um fio de cabelo branco que teima em se destacar em meio aos fios negros, vê um olhar sombrio, um rosto cansado ou um sorriso satisfeito daqueles que espalham brilho nos olhos, um viço na pele apesar de não ser mais jovem, um ar de vitória de quem conseguiu mais do que esperavam dela. O que ela vê, depende do dia, pois como toda mulher, ela é como a Lua, tem suas fases.  Hoje especialmente ela se vê com mais cuidado, sem pressa. Enquanto suas mãos passeiam em seu corpo com seu creme preferido, se olha. Sua vida passa no espelho como um filme na tela de cinema, as imagens do passado se misturam com a sua, a mulher se vê tecendo sua vida fio a fio. Quantos erros, quantos acertos; quantas lágrimas, quantas risadas. Lágrimas que jorraram escondidas, risos fabri…

É tiro!

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Um tiro ecoou no escuro! Acordei assustado deixando no esquecimento a morena com quem dançava numa festa qualquer (afinal, sonho é sonho, o que importa é a morena e não os detalhes da festa). Ouvi sim um barulho forte, e certamente foi um tiro, como aqueles do tiroteio no assalto ao banco que vi ontem na TV antes de dormir. No auge dos meus 16 anos, nunca me vi tão indeciso: não sabia se me escondia debaixo da cama ou dentro do armário. Que vergonha era minha cara e minha tremedeira nas pernas! Ainda bem que eu estava sozinho. Que nada, eu não queria estar sozinho! Meu pensamento gritou o mais alto possível: Eu quero minha mãe! Foi então que percebi que não deveria ter me recusado a visitar a tia Zilda junto com meus pais em Coité do Nóia lá em Alagoas. Como será que se chama quem nasce em Coité do Nóia? Só pode ser coiteense ou noiado. Pronto, o mundo acabou de ser destruído com um tiro e eu debaixo da cama procurando um adjetivo pátrio para nativos que estavam fora da zona de perigo. …