segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tecelã do Tempo ( Resenha )

Fonte: blog Pedagoga Literária.
https://pedagogaliteraria.blogspot.com.br/



Livro: Tecelã do Tempo
Autora: Zezinha Lins
Editora: Scortecci
Nº de págs.: 109
Ano: 2017






SINOPSE:

Na década de 60, numa cidade do interior, histórias reais acontecem e se entrelaçam como a trama de um tecido. Versejando e proseando, a personagem despe-se da discrição, algo tão característico da sua personalidade, e narra sua vida como quem sacia a sede de libertar-se dos fantasmas do passado. Muitas histórias em uma. Contrastando com a quietude da cidade, as personagens vivenciam aventuras em alguns momentos turbulentas e perigosas, outros envolvidos na magia bucólica da cidade. O alcoolismo, a fuga para a cidade grande, a importância dos avós no âmbito familiar, o amor antes da hora, o conflito de sair da zona de conforto, o encontro consigo mesma, a convivência com a solidão e a superação são apresentados como vida que flui ao longo dos anos. Projetando-se na linha do tempo, acontece o encontro e o diálogo entre a menina do passado e a mulher do presente, a mesma pessoa em momentos diferentes: o acerto de contas.

RESENHA:

De uma forma bem sutil, esse livro é composto não só de poesias mais também de prosa onde a autora inspirada na prosa tece sua poesia de uma maneira delicada e criativa ao mesmo tempo.

São prosas  da sua vida passada , desde a sua terra natal  até os dias de hoje .
Ela fala da vivência em sua cidade Glória do Goitá em Pernambuco e vai decorrendo com histórias de sua infância, daquela época de 60, de como era calmo viver naqueles tempos que até dormíamos de portas abertas, os únicos ladrões que tinham eram os ladrões de galinha, isso tudo até o progresso chegar trazendo consigo  a violência 
As brincadeiras infantis da época, no terraço e no quintal, os bailes locais, a luta  da ida para a cidade grande, os amores e desamores dos parentes, tudo isso é proseado de maneira leve e agradável.
Em  cada tema da prosa, ela tece com sabedoria e maestria seus versos encantadores que tocam profundamente o leitor.
Ao concluirmos a leitura , vemos a superação da autora e de seus personagens ,que olha para o seu passado e dali tira grandes lições, e é isso que ela tenta passar para os leitores também, olhar para o passado sem algozes, mesmo que  ele tenha sido muito difícil .

Ler esse livro é regressar ao nosso passado, a nossa cultura, aos nossos costumes, ao tempo em que tudo era movido pela simplicidade, pela paz, tudo era perfeito.

O livro é um misto de emoções, pois cada tema abordado se intercalando com as poesias, despertam no leitor turbilhões de sensações diferentes.

A diagramação está perfeita, a capa condiz exatamente com o livro, e o que me chamou atenção ao escolher esse livro foi exatamente a capa e o título, ( coisa de artesã , rs) , daí quando li a sinopse e vi que era prosa e poesia, vi que não iria me arrepender, pois é um livro lindo, daqueles que você tem que carregar sempre consigo e reler sempre que puder.

domingo, 10 de setembro de 2017

ENTREVISTA COM ZEZINHA LINS - AUTORA DE: TECELÃ DO TEMPO...


Foto: Blog Pedagoga Literária



Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O livro Tecelã do Tempo... Histórias de uma vida conta, em prosa e versos, minha história vinculadas a outras histórias de pessoas que superaram os limites impostos pela época e pelo espaço em que viveram e muitos ainda vivem. O enredo se dá numa cidade do interior onde o clima bucólico se contrapõe aos conflitos e a coragem dos seus moradores. As vidas aqui narradas surgem como tramas de um tecido com seus avessos nos quais estão muitas respostas para os questionamentos das personagens. A ideia de escrevê-lo surgiu da necessidade que senti de registrar essas histórias enquanto refletia sobre tudo o que passou, lá haviam muitos fantasmas que eu precisava enfrentar. Considero importante levar para as pessoas esse novo jeito de olhar o passado e enxergá-lo sem vítimas nem algozes, apenas vidas que fluem ao longo do tempo deixando um rastro de grandes lições e novos valores. A obra se destina a aos públicos jovem e adulto.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Desde criança sou apaixonada por Literatura. Em 2010 comecei escrevendo matérias para uma revista pedagógica. Enquanto isso realizava projetos de poesia na sala de aula resultando em livros artesanais com poemas produzidos pelos alunos.
Comecei a escrever poemas e publicar no blog Tecendo a Vida que fiz para esta finalidade. Em outro blog Ação Educativa, publico textos referentes à minha experiência profissional como professora. Participo do site União dos Escritores Virtuais A Casa da Poesia, onde publico meus poemas e crônicas, lá também sou colunista semanal. Participei com outros escritores de quatro Antologias Poéticas da Casa da Poesia, publiquei um livro virtual de poesias intitulado Simples Assim.
Tecelã do Tempo... Histórias de uma vida, é o meu primeiro livro físico e pretendo continuar escrevendo, não vejo nenhuma possibilidade de parar, pois adoro escrever.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
A vida do escritor no Brasil não é nada fácil, ninguém se torna escritor se realmente não gostar muito do que faz. É necessário tempo e dedicação. Qualquer escritor se sente feliz quando está escrevendo um livro, porém é preciso vender sua obra. Ainda há um longo caminho a percorrer para que a leitura se torne um hábito na vida dos brasileiros.
Mas sou otimista, acredito que cada um de nós que estamos envolvidos diretamente com as Letras, temos nossa parcela de responsabilidade em fazer com que o livro chegue mais fácil até o leitor e de criar meios para despertar o interesse nos menos interessados.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Através do site União dos Escritores Virtuais, na pessoa do seu administrador Renato Batista, tive o prazer de participar das Antologias Poéticas volumes 1, 2, 3 e 4, todas produzidas pela Scortecci Editora e Editora Casa da Poesia.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Tecelã do Tempo... Histórias de uma vida, é um livro que vai prender a atenção do leitor do começo ao fim. As histórias reais contadas em prosa e versos torna a leitura leve e agradável. O leitor viajará no tempo, conhecendo ou reconhecendo costumes e cultura de um espaço diferente, mas real. Cada história despertará diferentes emoções e reflexões sobre os avessos que existem em cada trama com que a nossa vida é tecida.

Obrigado pela sua participação.

Fonte:http://portaldoescritorscortecci.blogspot.com.br/2017/05/entrevista-com-zezinha-lins-autora-de.html

sábado, 9 de setembro de 2017

Sob a luz do abajur



Na penumbra do meu quarto, o abajur ao lado da cama tenta impor sua luz azul. Mas, tímida e discreta ela permanece frágil, pálida e misteriosa. O silêncio da madrugada é cortado pelo canto do grilo que certamente faz do seu palco, o jardim. A noite traz consigo uma magia diferente, festa para alguns, para outros, encontro consigo mesmo, hora de saber ser boa companhia para si próprio, apesar de conter nessa relação uma exigência maior, pois para os outros dá para disfarçar, para nós, não.

Pensamentos preenchem os espaços do quarto e da mente levemente iluminados pela luz do abajur, azul como as flores do vestido que eu usava quando nos vimos pela primeira vez, azul como a cor com que o céu se mostrava quando nos vimos pela última vez, pelo menos deveria ser a última vez, mas as lembranças sempre nos situam um de frente para o outro. Conversas triviais, sorrisos, desejos contidos e um até logo.

Em frente a cama, o espelho reproduz minha imagem, o mobiliário, o abajur e sua luz. Olho e a consciência tranquila me faz sentir uma paz que chega a tocar meu corpo como se fosse um carinho, um sorriso escapa dos meus lábios, parece contraditório, mas é a consciência da escolha, estar bem depende mais de nós do que dos outros. Cerro os olhos, me acomodo nos travesseiros e agradeço a Deus pelo que tenho, e pelo que não tenho procuro não lamentar. Não tenho você. Não era pra ser.

Zezinha Lins




quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Plenitude

Foto: Blog Pedagoga Literária
                                                                                 


É como se a luz do Sol que se esconde à noite, 
tivesse encontrado abrigo dentro dela. 
E como quem tudo espera do futuro, 
inclusive a leveza do nada, 
ela celebra a vida com meia xícara de café. 
Ela sorri e pensa que a liberdade 
mora dentro das paredes da sua casa. 
Seu ser bate asas como borboletas coloridas no jardim 
criado pela sua própria história.

domingo, 20 de agosto de 2017

Liberdade

Foto: Monique Lima Leite



Liberdade

A liberdade é a luz que penetra
Pelas frestas da porta entreaberta.
Portas não me prendem,
Frestas me libertam.
Não ando sobre trilhos
Prefiro asas imaginárias
Elas motivam meus movimentos
Incansáveis idas e vindas
Sem hora para sair ou chegar.
Desconhecido desvendado
Guardo tudo na mochila,
O tudo palpável é quase nada,
O tudo memória enriquece minha alma.
De posse da liberdade,
Crio pontes,
Espanto os medos
E provoco os encontros.

Zezinha Lins

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Abstenção



Digo não
Ao teu amor fracionado,
Ao teu indeciso propósito,
Ao teu constante esvaecer.
Digo não
À tua perturbadora presença,
À esta atração incômoda,
A este desejo de ceder.
Digo não
À ânsia do teu beijo,
Ao teu toque vigoroso,
Ao meu corpo que fala
A mesma língua que o teu.
Digo não
E me sinto protegida
Da paixão incandescente
Que em chamas me atrai
A cada dia que se vai.
Digo não...

Zezinha Lins









sábado, 10 de junho de 2017

O desafio da inclusão




Disposição revigorada depois de merecidas férias. Reencontro os colegas de trabalho e entre abraços e risos tornávamos o ambiente escolar festivo e barulhento. Por alguns momentos esquecemos o árduo trabalho recheados de desafios que nos esperava. Primeiro dia letivo na escola pública onde eu trabalhava lecionando quinto ano. Dia de reunião administrativa na escola. Começou e as novidades foram surgindo, a principal delas: a escola não teria mais salas especiais, ou seja, salas exclusivas para alunos portadores de necessidades especiais. Estava implantada na escola, a inclusão. Todos teriam o direito de estudar em salas de aula regular. Achei aquela notícia incrível! Havia novidade no ar! Sempre gostei de novidades no âmbito profissional! Porém, enquanto a diretora falava, meus pensamentos faziam cócegas e provocavam uma certa inquietação, sintomas de ansiedade gerados pelos seguintes pensamentos: “Como assim? Não teremos nenhuma formação, nenhuma preparação para esta mudança?”  Percebi que algo muito importante estava acontecendo, porém, sem nenhuma preparação prévia. Só restava focar na reunião e prestar atenção nas falas que se seguiam.
_ Na sua turma terá três alunos surdos. _ Falou a diretora. Fiquei entre animada com os novos desafios e preocupada com um pensamento que se fixou na minha mente: “ E agora? Como vou fazer?”  Afinal, a faculdade não tinha me preparado para este desafio.
Fui informada que teria uma intérprete de Libras na sala de aula o tempo todo. Bem, já é alguma coisa. As aulas começariam no dia seguinte. Precisava entender melhor a nova situação. Conhecer um pouco da cultura surda, aprender um pouco de Libras! Quanta coisa para estudar e tão pouco tempo.
Quando, finalmente, a educação será levada a sério?
Estava iniciando o mestrado, precisava escolher o tema da dissertação: claro, ali estava um assunto que seria objeto de muitas pesquisas para atender a necessidade da minha turma, agora com uma diversidade mais ampla. Assim começaram minhas pesquisas, primeiro na prática, pois a inclusão já estava acontecendo, depois na literatura.
A partir das primeiras vivências percebi que a Inclusão dos estudantes deficientes auditivos na escola regular era um tema preocupante que precisava ser abordado a partir de diferentes perspectivas, entre elas: o direito à cidadania e ao conhecimento e o uso de forma eficaz da Língua de Sinais além da Língua Portuguesa.  A aplicação de uma metodologia inadequada para os alunos surdos resultaria num desenvolvimento das competências muito abaixo do esperado em relação aos alunos ouvintes.
Ao serem apresentados para mim, os estudantes surdos (duas meninas e um menino) foram caracterizados como: menina agitada, menina tímida e menino curioso. Percebe-se que quando se fala em diversidade na sala de aula, esse conceito vai muito além do que se costuma discutir nas reuniões pedagógicas e afins. Na minha tese de mestrado escrevi: “Cabe a escola, o papel fundamental de proporcionar a enriquecedora experiência de troca, de afeto, de aceitação das diferenças entre os estudantes surdos e ouvintes”. Continuo pensando assim, porém, acrescentaria que as diferenças não estão em ser surdo ou ouvinte, e sim no fato incontestável de sermos únicos em qualquer condição.
Pensando na perspectiva do direito à cidadania e ao conhecimento, iniciei minha prática sem nenhuma experiência em lidar com surdos, apesar dos meus vinte e poucos anos na profissão, resolvi então oferecer o que tinha de melhor no momento, pois a nova situação ainda exigia de mim muito estudo e observação: à menina agitada, oferecia o meu abraço afetuoso, gestos e expressões calmas num ambiente tranquilo e acolhedor; à menina tímida, a discrição e o respeito pela sua timidez, um sorriso gratuito e elogios moderados; ao menino curioso ofereci um mundo de descobertas através de imagens e vídeos que falavam das coisas do mundo, das coisas da vida; aos alunos ouvintes a possibilidade de aprender uma nova língua com os colegas surdos com a ajuda da intérprete. Eu, claro, aprendia junto. Como podemos observar, cada ação que realizamos para atender a necessidade de um, torna-se enriquecedora para a aprendizagem de todos. Pois tudo era para todos, embora intencionalmente sanasse a dificuldade mais gritante de um ou mais.
Percebi que as capacidades cognitivas iniciais dos estudantes surdos e ouvintes são semelhantes, porém fazia-se necessário uma tomada de medidas que favorecessem o desenvolvimento pleno desses alunos. É um processo amoroso que exige treinamento dos professores, um ótimo planejamento anual do Projeto Político Pedagógico e uma série de medidas que envolvessem a comunidade escolar, pois não basta inserir o aluno surdo na sala de aula, a inclusão precisa acontecer dentro e fora dela. Mas na ocasião não tínhamos nada disso. Uma grande aventura me esperava e eu precisava embarcar nela com garra e persistência.

Zezinha Lins




Tecelã do Tempo ( Resenha )

Fonte: blog Pedagoga Literária. https://pedagogaliteraria.blogspot.com.br/ Livro:  Tecelã do Tempo Autora:  Zezinha Lins Editora: ...