sexta-feira, 26 de março de 2010

NORMOSE


A palavra normose foi criada na França pelo escritor e conferencista Jean-Ives Leloup para designar, em síntese, essa forma de comportamento visto como normal mas que, na realidade, não é normal.
Transportando esse conceito para observação da sociedade atual verificamos que as pessoas se pautam por padrões estabelecidos por alguém ou um grupo, em algum momento.
Por exemplo, segundo padrões da moda atual, ser normal é ser magro e bonito.
Para isso, vale dieta e, a cada dia surge uma diferente, ditada por essa ou aquela celebridade que afirma ter conseguido o peso ideal em um tempo mínimo.
Para alcançar as medidas ideais da dita normalidade vale a frequência a academias, com rigorosos exercícios físicos, massagens e tudo o mais que possa permitir atingir o idealizado.
E depois vêm as cirurgias para modificar tudo que seja possível alterar.
Não escapam os dentes, que devem ser perfeitos e brancos e, para isso, submetem-se as pessoas a aplicações de laser, porcelana e o que mais seja necessário.
Não importa se algo faz mal à saúde. O importante é ser normal que inclui, ao demais, estar sempre na moda, vestir a roupa do momento, custe o que custar.
Gastam-se verdadeiras fortunas com cabeleireiros, maquiagem, produtos de beleza.
Porque não se pode perder festa alguma. Nem evento importante. Isso logo nos desqualificaria como um ser normal.
Naturalmente, é louvável o cuidado com o corpo, a atenção ao parecer bem, à elegância. Faz parte da evolução da criatura cultivar o belo, o bom.
Mas daí aos exageros, aos excessos vai uma distância que prima pela insensatez.
Gasta-se o que não se tem, finge-se o que não se é. Tudo para parecer normal... Como os demais.
Que padrão de normalidade, afinal, estamos elegendo? Algo totalmente físico, exterior, passageiro em detrimento de valores reais?
Será isso que desejamos para os nossos filhos, a Humanidade do amanhã?
Desejaremos uma Humanidade de pessoas esquálidas, bulímicas, estressadas e vazias de conteúdo?
Cabe-nos pensar um pouco, antes que nossos filhos, por não atenderem aos padrões ditados por alguns se lancem no fundo poço da depressão, perdendo as oportunidades de progresso nesta vida.
Estamos na Terra para angariar sabedoria, ilustrar a mente, dulcificar o coração, ascender à perfeição.
A mente se ilustra com estudo, reflexão, esforço. O coração se dulcifica no exercício do bem ao próximo, entendendo que as diferenças existem para permitir realce à verdadeira beleza.
Invistamos nisso. E, em vez de nos esgotarmos em horas e mais horas de trabalho para conseguir mais dinheiro para atender a necessidades tolas, reservemos tempo para conviver com a família, com os amigos.
Reservemos tempo para leituras, alimentando as ideias; para a reflexão, a fim de nos enriquecermos interiormente.
Tempo para olhar o nascer do sol e seu desaparecer no poente, para ouvir a sinfonia da chuva em dias quentes, o agradecimento da terra pela água que sorve, com sofreguidão.
Tempo para amar, para viver, para ser um humano de valor, para ser feliz.
Pensemos nisso.
(Presente de um amigo, desconheço o autor)

4 comentários:

Zé Carlos disse...

Oi querida, perfeito o texto enviado pelo seu amigo.

Como já disse a Martha Medeiros: "Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha "presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo."

Já pensou se uma menina perfeita como você entrar numa neura destas? Só faltava não é?

Fique na sua que está ótima. Beijão do teu amigo ZC

Amapola disse...

Boa noite.
Ter vaidade tudo bem. Mas o exagero tem como consequencia, a inversão de valores.
Crianças que só se preocupam com seus cabelos e roupas. Conheço crianças que ficam horas e horas dentro do salão, para fazer chapinha. E o pior... vão mal na escola.

Um grande abraço.

Amapola disse...

Bom dia.
Passando, para lhe desejar uma boa semana.

Um grande abraço.

Renato Baptista disse...

Zezinha...

As "normas" sociais, os modismos,os isso e aquilo que se alternam e na verdade são cíclicos fazem do dia a dia das pessoas um inferno mesmo.
Por mais que execremos certas atitudes ou "modis" vivendi", acabamos nos pegando em alguma atitude assim.
A valorização do ser humano está muito acima disso mesmo e o difícil é querer ensinar isso para os nossos jovens... no fim, acho que a vida ensina, com suas dificuldades e diferenças de valor que os tempos acabam impondo na decorrência da vida de cada um.
Muito legal o seu texto amiga.
Olha, digo que é um prazer enorme tê-la lá na Academia da Poesia, viu? Você precisa conhecer meus outros dois blogs.
Um grande abraço* e esteja com Deus amiga.

Renato Baptista

Poema sem registro

Numa folha de papel em branco Fiz de ti, poesia Versos concebidos em silêncio  Total ausência de grafia Segredos que não ouso ...