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Mostrando postagens de Março, 2017

É tiro!

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Um tiro ecoou no escuro! Acordei assustado deixando no esquecimento a morena com quem dançava numa festa qualquer (afinal, sonho é sonho, o que importa é a morena e não os detalhes da festa). Ouvi sim um barulho forte, e certamente foi um tiro, como aqueles do tiroteio no assalto ao banco que vi ontem na TV antes de dormir. No auge dos meus 16 anos, nunca me vi tão indeciso: não sabia se me escondia debaixo da cama ou dentro do armário. Que vergonha era minha cara e minha tremedeira nas pernas! Ainda bem que eu estava sozinho. Que nada, eu não queria estar sozinho! Meu pensamento gritou o mais alto possível: Eu quero minha mãe! Foi então que percebi que não deveria ter me recusado a visitar a tia Zilda junto com meus pais em Coité do Nóia lá em Alagoas. Como será que se chama quem nasce em Coité do Nóia? Só pode ser coiteense ou noiado. Pronto, o mundo acabou de ser destruído com um tiro e eu debaixo da cama procurando um adjetivo pátrio para nativos que estavam fora da zona de perigo. …

Olhar Poético

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Vinícius olhou a porta
e viu nela poesia.
Porta que abre e fecha, como todas as portas.
Para cada pessoa de um jeito diferente:
O namorado, a cozinheira, o capitão...
Cada um com seu jeitinho ou seu jeitão.

Também olhou uma casa
Imaginária? De botão? Quem sabe...
(depende da sua imaginação)
E viu nela poesia, por tudo o que ela não tinha:
teto, parede, chão...

Por que então não olhamos
com esse olhar de poeta
as pessoas que nos cercam?
Veríamos nelas  poesia,
obra divina, mesmo com imperfeições.
Se assim fosse...
A maldade sumiria no ar
Explodindo para sempre, 
como bolhas de sabão.


Zezinha Lins

Prisma

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Nasci sem cor, um prisma transparente. base insegura, altura indefinida, vértices desencontradas, arestas afiadas, faces rosadas. A vida  Conspirava a meu favor. Enfim, um pouco de luz permeou os sonhos meus, explodiram as cores, ora quentes, ora frias. Nasci sem cor Hoje, polícroma sou.
Zezinha Lins