domingo, 3 de abril de 2016

SOLIDÃO


Há solidão barulhenta
Ninguém fala a mesma língua.
Há solidão silenciosa
Sem olho no olho, sem abraço, sem beijo.
Há solidão escura
Como o fundo do poço sem água.
Há solidão orvalhada
Como flores regadas por lágrimas.

Mas a minha solidão
Tem música suave no ar,
Sabor de suco de uva,
E um jardim para cuidar.
Tem monólogos interessantes,
Risos de criança travessa
Que dança, dança sem parar.

Na solidão olho-me no espelho e vejo
Um só
Mergulho no meu eu e percebo
Um Sol

Sim, há um Sol na minha solidão!

Zezinha Lins


O BEIJO




Manifestação espontânea,
Assume diferentes formas.
Perfeita celebração do encontro.

O beijo molhado no encontro de dois rios;
O beijo estalado da chuva no telhado;
O beijo desejado em cada despedida
entre o Sol e a Lua, no fim do dia;
Beijo doce nas mãos, na testa, na face;
Beijo salgado do mar com a areia.

Beijo primeiro;
Beijo roubado;
Beijo ofertado;

Beijo traidor que oferece a cruz;
Beijo redentor que oferece o céu.
Lábios que se perdem e ávidos se encontram.

Beijo que dura o tempo de uma vida
Beijo matinal com sabor de café
Beijo tranquilo depois do almoço
Beijo de fogo depois do jantar.


Zezinha Lins





NA PONTA DO LÁPIS

Minha história dança com meus versos
Conversam em prosa e fazem descobertas
Das coisas que de mim eu escondia
A história na ponta do lápis
Ecoa como nota que sai de um violão
Conto como quem canta uma canção.
História contada

Saciada sede de libertação.

Zezinha Lins

RENOVAÇÃO

Mesmo sentindo cansaço
Não permitas a fuga
Do brilho dos olhos teus
Colhes duas estrelas no céu
E deposites em teu ser
E quando te enxergares no espelho
Verás refletida em teus olhos, a luz
A luz que veio do céu
Passará o tempo do cansaço
E novamente terás
Um espírito vivaz.


Zezinha Lins

Poema sem registro

Numa folha de papel em branco Fiz de ti, poesia Versos concebidos em silêncio  Total ausência de grafia Segredos que não ouso ...